Violência em moda
Um dos aspectos que não examinamos no artigo anterior, ao falar da violência sexista que a mulher sofre por parte de marmanjos em busca da masculinidade perdida, é o estereótipo da coisa feminina, promovido pela moda e pelo marketing.
A figura da mulher objeto, carne em exposição, oferecendo-se a qualquer preço é um desastre social. Menos frequente, mas em franco crescimento está o mesmo tipo de exposição do homem. Seguindo nesse caminho mau e de maneira ainda mais perversa, a exposição sensual e até erótica de adolescentes e crianças, tanto meninos como meninas vai contaminando os meios de comunicação. Tanto desacerto tem suas consequências.
Ninguém deve ignorar que a falta de amor próprio é que empurra as pessoas para uma busca ansiosa de atenção, ao custo até de sua dignidade. Por outro lado, uma sociedade formada por pessoas com cada vez menor auto-controle, em busca desesperada por uma gratificação fácil para suas frustrações, e um marketing ávido para transformar em dinheiro qualquer desejo, por mais obscuro que seja, compõe o cenário ideal para que a mulher, depois os homens e os mais jovens sejam apresentados como mercadoria. Logo, por extensão, no cotidiano os relacionamentos se estabelecem por este pressuposto – às vezes, até para pessoas que não concordam com tal situação.
Uma sincera vontade de extinguir a violência sexual e sexista, o abuso verbal de natureza sexual e o abuso sexual propriamente dito, deve contar com uma luta sem tréguas contra a veiculação de imagens sensuais na propaganda de moda, no cinema, na televisão e contra toda a forma de pornografia. É um absurdo que impressos e produções audio-visuais pornográficos recebam o mesmo incentivo à cultura em nosso país que produções verdadeiramente culturais.

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