09. Apenas uma palavra

Devocional dos alunos da Escola de Liderança da AMME para Adolescentes e Jovens. Esse devocional deve ser feito no dia 9 de dezembro. Leia o texto, medite sobre as perguntas no final e ore. (16 minutos de leitura)
……………………..

Muitas vezes nos perguntamos porque uma oração que fazemos, por melhor que fosse nossa intenção, não é atendida. Nos esforçamos por ser bons, por apresentar boas ofertas e prometemos um bom comportamento e nem assim somos recebemos o que pedimos. Será que Deus se esqueceu de nós? Será que Jesus não se importa com nossas súplicas, nossas lágrimas, nossos gritos? O medo de não serem atendidos se espalha entre muitos crentes e eles já nem oram para não se sentirem frustrados. Hoje veremos um homem que clamou de um modo que deixou Jesus admirado. Somente duas vezes lemos nos Evangelhos que algo deixou Jesus admirado: a fé do centurião que vamos examinar e a falta de fé dos concidadãos em Nazaré (Mc 6:6). Mas é o tamanho da fé que importa. Jesus disse que não. A fé pode ser do tamanho de uma sementinha de mostarda e mesmo assim acontecerem maravilhas (Mt 17:20). Esse texto vai nos esclarecer sobre como podemos orar e ser atendidos: de que isso depende e como funciona. Que fé precisamos ter para agradar a Jesus? Qual a relação da fé com a resposta às nossas orações?

A Palavra de Deus: Mateus 8:5-13
Entrando Jesus em Cafarnaum, dirigiu-se a ele um centurião, pedindo-lhe ajuda. E disse: “Senhor, meu servo está em casa, paralítico, em terrível sofrimento”. Jesus lhe disse: “Eu irei curá-lo”.
Respondeu o centurião: “Senhor, não mereço receber-te debaixo do meu teto. Mas dize apenas uma palavra, e o meu servo será curado. Pois eu também sou homem sujeito à autoridade e com soldados sob o meu comando. Digo a um: Vá, e ele vai; e a outro: Venha, e ele vem. Digo a meu servo: Faça isto, e ele faz”.
10 Ao ouvir isso, Jesus admirou-se e disse aos que o seguiam: “Digo-lhes a verdade: Não encontrei em Israel ninguém com tamanha fé. 11 Eu lhes digo que muitos virão do oriente e do ocidente, e se sentarão à mesa com Abraão, Isaque e Jacó no Reino dos céus12 Mas os súditos do Reino serão lançados para fora, nas trevas, onde haverá choro e ranger de dentes”.
13 Então Jesus disse ao centurião: “Vá! Como você creu, assim lhe acontecerá!” Na mesma hora o seu servo foi curado.

[V] Senhor, não mereço receber-te
O segundo bloco de narrativas no Evangelho de Mateus apresenta 9 obras poderosas de Jesus. Curiosamente elas estão divididas em três blocos de três, cada um finalizado por eventos que discutem a vocação. Entre o primeiro e o segundo grupos de milagre duas situações enfatizam o apego às coisas do mundo como obstáculo à vocação. Entre o segundo e o terceiro grupo de milagres, a vocação do próprio Mateus discute o mérito da vocação como algo que não está naquele que é chamado, mas naquele que chama, ideia corroborada pela parábola do noivo. Depois do terceiro grupo de milagres, encontramos ainda outro evento sobre vocação, a instrução para rogar por trabalhadores intensificada pelo exemplo de Jesus no envio dos doze. O segundo bloco de ensinos é sobre quem são os vocacionados e qual é a sua vocação. Portanto, a segunda narrativa, com tantas referências sobre vocação, nos prepara para esse tema.

  • Quem e porque pediu ajuda a Jesus e qual foi a resposta do Senhor? Entrando Jesus em Cafarnaum, dirigiu-se a ele um centurião, pedindo-lhe ajuda. E disse: “Senhor, meu servo está em casa, paralítico, em terrível sofrimento”. Jesus lhe disse: “Eu irei curá-lo”. Um centurião romano era comandante de uma centúria com até 100 soldados ou de dez tendas. O termo usado no texto significa literalmente ‘o primeiro de 100’. Sendo a autoridade mais próxima dos soldados, lutando lado a lado com eles, o centurião devia ser obedecido sem questionamento em qualquer situação. O símbolo de seu ofício era uma vara com a qual podia punir até mesmo os cidadãos romanos. Em Cafarnaum ele pode ter sido a principal autoridade romana e bastante rico. O termo usado para servo é a palavra para menino ou rapaz, com provável origem na palavra para ‘vara’, portanto uma pessoa que podia ser corrigida. O servo jazia em casa, paralisado, enfraquecido por uma provação. Podemos inferir que fora acometido de algum tipo de doença debilitante que o paralisara. Ao ouvir a descrição do estado daquele rapaz, Jesus diz que ‘indo o curaria’. A ênfase está no curar, não exatamente no ir. Para curar, Jesus usa o termo que deu origem à nossas palavras terapia e terapeuta, que tem a ideia de servir como base, ou seja, ‘indo, vou servi-lo’.
  •  Qual foi a reação do centurião à possibilidade de Jesus vir à sua casa e que conclusão Jesus tirou disso? Respondeu o centurião: “Senhor, não mereço receber-te debaixo do meu teto. Mas dize apenas uma palavra, e o meu servo será curado. Pois eu também sou homem sujeito à autoridade e com soldados sob o meu comando. Digo a um: Vá, e ele vai; e a outro: Venha, e ele vem. Digo a meu servo: Faça isto, e ele faz”. 10 Ao ouvir isso, Jesus admirou-se e disse aos que o seguiam: “Digo-lhes a verdade: Não encontrei em Israel ninguém com tamanha fé. O centurião disse que ‘ainda não havia chegado’ ao nível em que pudesse receber Jesus sob seu teto. É uma ideia interessante para alguém que vivia em um sistema de promoções por mérito, o qual ele descreve como ‘sou homem sujeito à autoridade’. Isso inclui a ideia de que ele também devia obediência a um superior, mas traduz muito mais uma condição, um sistema, um ambiente, já que a descrição que ele faz é de pessoas que o obedecem fielmente. Jesus ficou maravilhado, e a palavra indica um impacto interno grandioso causado por um fator externo. A causa desse impacto em Jesus foi a fé do centurião. O termo para fé na língua original traz a ideia de ‘convicção’ que vem de um processo de avaliar e escolher argumentos. Aquele homem entendeu que Jesus existia em um ambiente de autoridade, como ele mesmo, e que sua palavra era suficiente para realizar mesmo uma cura impossível aos homens. Ele compreendeu o Reino de Deus em Cristo e até mesmo o exercício desse Reino pela Palavra. É interessante notar que o termo para cura muda na boca do centurião: Jesus disse que serviria ao doente, o centurião disse que Jesus poderia curá-lo de modo miraculoso.
  •  Que ensino de Jesus esse episódio ensejou? 11 Eu lhes digo que muitos virão do oriente e do ocidente, e se sentarão à mesa com Abraão, Isaque e Jacó no Reino dos céus. 12 Mas os súditos do Reino serão lançados para fora, nas trevas, onde haverá choro e ranger de dentes”. Lidando com um ‘não judeu’, com o representante máximo do Império dominante sobre Israel, que compreendia o Reino dos céus mais do que os judeus chamados primeiro para eles, Jesus aproveitou o incidente para adiantar a universalidade do Reino que somente seria determinada definitivamente na Grande Comissão (Mt 28:18-20). Lá, Jesus testifica haver recebido a plena autoridade que o centurião já identificava nesse episódio, e essa foi a base do envio dos vocacionados para discipularem as nações. Pessoas de outras etnias seriam colocadas sob o Reino, experimentando o mesmo cuidado de Deus que os pais de Israel experimentaram. Infelizmente, os próprios judeus, primeiros chamados ao Reino, seriam lançados fora, por não estarem prontos a obedecer, a se deixarem governar.
  •  Que relação Jesus estabeleceu entre a fé do centurião e a cura de seu servo? 13 Então Jesus disse ao centurião: “Vá! Como você creu, assim lhe acontecerá!” Na mesma hora o seu servo foi curado. Jesus não está estabelecendo uma barganha do tipo, você me deu a fé que eu quero então lhe dou a cura que você pediu. Jesus descreveu o modo como a cura que ele se dispôs a realizar aconteceria: ele usaria a autoridade de seu Reino e então o rapaz seria curado. O centurião pediu a Jesus algo baseado em sua compreensão do Reino, do exercício da autoridade que Jesus tinha, e recebeu o que pediu em razão dessa mesma autoridade. Jesus não curou o rapaz porque o centurião tinha fé e pediu; ele o curou porque tinha autoridade para fazê-lo. O centurião apenas sabia e entendia isso.

A descrição de Lucas do mesmo episódio é diferente (Lc 7:1-10). O centurião teria falado com Jesus usando intermediários, primeiro líderes judeus que conheciam seu esforço e generosidade para com o povo, depois seus próprios amigos. Mateus não achou importante mencionar isso e se concentra na fé do centurião, em seu entendimento do que era e de como funcionava o Reino. Embora não o tenha dito explicitamente, Mateus parece ter dado indicações de que o diálogo com o centurião foi indireto: “Ao ouvir isso, Jesus admirou-se e disse aos que o seguiam…”, o centurião não seria, então, um dos que andavam com Jesus pelo caminho. Por outro lado, se não achava que tinha chegado ao nível de receber Jesus, parece que não se considerava suficiente para falar com Jesus também.

[O] Dize apenas uma palavra
O ofício de um centurião romano passava bem perto de todo o paganismo que cercava os militares do Império. Os sacrifícios aos deuses relacionados com a guerra e os cultos públicos prestados pelo exército deveriam dar àquele centurião um forte conceito de troca, de mérito. Vemos esse conceito permear cada religião e afetar até mesmo o monoteísmo judeu ou muçulmano. É realmente admirável que aquele homem percebeu que não era seu mérito pessoal, mas a autoridade real de Jesus que operava todas as coisas. Aquele homem não dependeu de quem era ou do que podia fazer; ele dependeu exclusivamente da Palavra de Jesus.

  • Motivação: ao dizer que serviria ao doente em indo até à casa do centurião, Jesus criou a situação em que a fé se manifestou de modo admirável. Essa manifestação de compreensão e convicção sobre o Reino catalisou as ações de Jesus. Entender o ambiente de autoridade pessoal de Jesus, e o exercício dessa autoridade pela palavra, foi mais do que Jesus encontrara entre os judeus, primeiros súditos do Reino. O texto nos traz a ideia de que aquela fé específica era maior, sem que houvesse exceção.
  • Ação: o texto circula em torno da admiração de Jesus pela compreensão que um estrangeiro tinha do Reino. Jesus recebe um profundo e intenso impacto pela fé daquele centurião e, em razão disso, tanto avalia aquela fé, analisa a situação daqueles que não criam da mesma forma e ainda cura o rapaz que estava prostrado, paralítico, sucumbindo a uma difícil provação.
  • Reação: finalmente, o rapaz enfermo foi curado exatamente da forma como o centurião entendia que funcionava, Jesus exerceu sua autoridade absoluta por sua palavra. Não foi o impressionante tamanho da fé do centurião que realizou a cura, mas a autoridade de Jesus sobre qualquer tipo de situação ou problema. A cura veio não porque o centurião tinha fé, mas porque Jesus tinha autoridade própria. Admirável foi o centurião entender isso, quando tantos súditos do Reino nem sequer se aproximavam de compreende-lo.

[S] Sou homem sujeito à autoridade
Mas os súditos do Reino serão lançados para fora, nas trevas, onde haverá choro e ranger de dentes”. Que cenário horrível, aqueles que foram colocados sob o Reino são expulsos dele porque não o entendem e nem sabem como ele funciona. Essa falta de fé é desastrosa.

  • Diminuir: a dependência do mérito. Quanto nós também somos influenciados pelo pensamento de que podemos oferecer alguma coisa em troca do favor de Deus. Os súditos do Reino, os judeus, achavam que por serem filhos de Abraão, Isaque e Israel, teriam direitos especiais. Outros acham que por suas ofertas ou pela bondade de seu coração podem conquistar a resposta para suas orações. Há ainda aqueles que pensam que sua posição ou status lhes dá alguma vantagem. Nós só entraremos no Reino dos céus se entendermos, se estivermos convictos, de que tudo depende apenas da autoridade que Jesus tem em si mesmo. Você já chegou a esse entendimento ou ainda está tentando oferecer algo em troca?
  • Aumentar: a consciência de autoridade. Aquele centurião não chegou a ter uma fé tão admirável porque foi profundamente instruído na religião. Como a mulher samaritana (Jo 4), este centurião entendeu o Reino pelo seu contato com a pessoa de Jesus. Ele percebeu a autoridade de Jesus através de sua palavra e colocou-se sob esse Reino. Ele desejou que Jesus mandasse em sua vida, exercesse autoridade sobre si, porque sabia o que era viver em um ambiente de autoridade. O pecado entrou no mundo pela desobediência e ele sai do mundo pela obediência (Rm 5:19). Se alguém não está disposto a obedecer, nunca entrará no Reino dos céus. Você sabe o que é viver em um ambiente de autoridade e está disposto a obedecer a Jesus?
  • Dividir: o interesse pelos outros. Aquele centurião não somente se colocou sob o Reino de Deus em Cristo, como também ao rapaz, talvez um adolescente, que estava sob sua própria autoridade. O mundo promove a rebeldia e a desobediência, principalmente entre os mais jovens. Parece ser bonito desobedecer e, com isso, as pessoas são lançadas nas trevas exteriores onde rangerão os dentes em desespero por toda a eternidade. Mas aqueles que já se colocaram sob o Reino, desejarão levar outros que dependem deles a se colocar sob o Reino também. Quem você levará hoje em intercessão ao Reino de Deus? Por quem você vai orar para que Jesus faça a vontade dele em sua vida?
  • Multiplicar: a visão internacional. É maravilhoso que Jesus tenha usado esse evento para promover uma visão internacional do Reino. Para que o Reino se multiplique não podemos usar a visão local que os judeus tinham. Precisamos ter o desejo de ver pessoas vindo de todos os lados para participar do banquete no Reino dos céus. Infelizmente muitas igrejas pensam apenas em si mesmas. Você tem uma visão que contempla as pessoas no oriente e no ocidente?

……………………..

Escola de Liderança para Adolescentes e Jovens
De 6 a 20 de janeiro em Ibiúna – SP
Encontro de Apologia Bíblica para Jovens
De 2 a 5 de março em Campina Grande – PB

4 comentários em “09. Apenas uma palavra”

  1. Que incrível foi, pela primeira vez me atentar ao fato da submissão do centurião à autoridade de Jesus e não da fé que impressionou Jesus. A idéia de barganha, que Deus precisa que você dê algo a ele para poder te dar algo assombra a vida cristã, pelo menos a minha, e faz com que eu viva numa linha tenue entre desobediência (pois se nao temos devoção a Deus, o pensamento é que nao vamos receber o que pedimos) e medo. Hoje eu tive uma concepção de serviço e de obediência que não havia me atentado no texto, Jesus tem poder pra fazer.
    “Nós só entraremos no Reino dos céus se entendermos, se estivermos convictos, de que tudo depende apenas da autoridade que Jesus tem em si mesmo. Você já chegou a esse entendimento ou ainda está tentando oferecer algo em troca?”
    O trecho do devocional que ficará marcado!

  2. No Paci a gente aprende o quanto perdemos aspectos importantes da palavra de Deus e vemos que não sabemos estudar com total dedicação a palavra. O Espírito Santo falou muito ao meu coração nesse trecho:
    “Não foi o impressionante tamanho da fé do centurião que realizou a cura, mas a autoridade de Jesus sobre qualquer tipo de situação ou problema. A cura veio não porque o centurião tinha fé, mas porque Jesus tinha autoridade própria. Admirável foi o centurião entender isso, quando tantos súditos do Reino nem sequer se aproximavam de compreende-lo.”

  3. Muitas vezes nós colocamos nossa confiança em nossa próprio força, na nossa inteligência e queremos fazer tudo conforme a nossa vontade, mas para termos uma fé verdadeira nós temos que aprender a confiar e a depender de Deus, e saber que a sua vontade é perfeita e por isso deve ser seguida.

  4. Muitas vezes passamos por dificuldades que parecem não ter saída, problemas que pensamos que não tem mais jeito e acabamos não exercendo a nossa fé de que Deus pode nos ajudar, ou até mesmo de que Deus vai nos ajudar, porém temos que acreditar naquilo que não podemos ver porque Deus vai nos ajudar. Acho muito interessante quando ouço falar que fé mesmo sendo uma palavra tão pequena pode mover montanhas, então temos que descansar no Senhor e ter a mesma convicção do centurião que depositou TODA a sua confiança em uma unica palavra de Jesus.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *